Desembargadora reclama de corte de benefícios — e anda de BYD híbrido pago pelo tribunal
A desembargadora Eva do Amaral, do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), declarou em sessão preocupação com a redução dos chamados "penduricalhos" da magistratura. Em paralelo, ela figura entre os beneficiários de um contrato do próprio TJ-PA para locação de 40 veículos híbridos — modelo BYD King GS 2025/2026, avaliado em cerca de R$ 175 mil — com motorista exclusivo.
O contrato tem custo mensal estimado em R$ 544 mil e valor total projetado de R$ 32,6 milhões ao longo de cinco anos. A contratação foi justificada pelo tribunal como necessidade de deslocamento dos magistrados para sessões e compromissos institucionais.
Só em março, a desembargadora recebeu remuneração bruta de R$ 117,8 mil. O caso ganhou repercussão nacional após a combinação entre as declarações públicas sobre perdas remuneratórias e a revelação do benefício do veículo de luxo.
A situação ilustra a tensão estrutural entre o discurso sobre contenção de gastos no Judiciário e a manutenção de regalias institucionais que raramente aparecem no teto remuneratório formal.
O episódio evidencia como benefícios indiretos — fora do contracheque visível — continuam blindados do debate público sobre o custo real da magistratura.
Fonte: juristas