AGU expande auxílio-saúde para academia, fertilização in vitro e despesas de sogros

AGU expande auxílio-saúde para academia, fertilização in vitro e despesas de sogros

O Conselho Curador de Honorários Advocatícios (CCHA) comunicou, em 27 de abril, aos membros da Advocacia-Geral da União (AGU) que o auxílio-saúde passaria a cobrir academia, práticas esportivas, fertilização in vitro e despesas de "parentes por afinidade" — categoria que inclui sogros, genros, noras e cunhados. O benefício, criado em 2024 e pago além do teto constitucional de R$ 46 mil, foi elevado de 10% para 15% do teto salarial, chegando a cerca de R$ 7.000 mensais.

O movimento ocorre um mês depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) fixar regras para pagamento de penduricalhos e explicitar que os fundos do CCHA têm natureza pública, sujeitos a controle externo. Em 2024, um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) já havia considerado irregular o pagamento automático sem comprovação de despesas.

A disparidade é gritante: o auxílio-saúde pago às demais carreiras do Executivo federal varia entre R$ 121 e R$ 465. Os cerca de 12 mil membros da AGU beneficiados pelo bônus — advogados da União, procuradores federais, procuradores do Banco Central e procuradores da Fazenda — têm acesso a um sistema inteiramente à parte, financiado por taxas cobradas de contribuintes que quitam dívidas com a União.

Entre 2017 e 2024, a União abriu mão de R$ 11 bilhões com esse redirecionamento de receitas. O caixa acumulado pelo CCHA chegou a aproximadamente R$ 2,54 bilhões em 2023, valor que era mantido sob sigilo até ser revelado pelo acórdão do TCU.

Fundos "indenizatórios" fora do teto viram sistema paralelo de benefícios sem equivalente no restante do serviço público.

Fonte: direitonews

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