Inadimplência bate 60% no rotativo enquanto emprego está em máxima histórica
A inadimplência das famílias brasileiras voltou ao centro do debate econômico, mas com uma característica inusitada: cresce em pleno cenário de desemprego em mínima histórica e renda média real em alta. A carteira de crédito livre para pessoas físicas supera 5% de inadimplência, patamar de 2012, e o cartão de crédito rotativo já passa de 60%, com crescimento acelerado desde 2021.
A análise aponta que o problema não está no volume de endividamento, mas na qualidade do crédito contratado: famílias recorrem sistematicamente às linhas mais caras e de prazo mais curto — rotativo do cartão e cheque especial — como extensão permanente de renda, em vez de instrumento emergencial. Segundo dados do Banco Central, cerca de 30% da renda familiar já é comprometida com serviços da dívida.
O argumento de que as bets seriam a causa principal da crise é rebatido com dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda: os gastos com apostas legais representaram apenas 0,46% do consumo agregado das famílias em 2025 — metade do que se gasta com streaming. O diagnóstico central é estrutural: juros proibitivos, ausência de educação financeira compatível com a velocidade da bancarização digital e incentivos mal calibrados no mercado de crédito.
A escalada do rotativo reativa teses sobre abusividade de juros e coloca Súmula 530/STJ e Lei 14.181/2021 no centro da prática de defesa do consumidor endividado.
Fonte: jota