Juiz convocado do TRT1 publica acórdão com prompt de IA visível no texto

Juiz convocado do TRT1 publica acórdão com prompt de IA visível no texto

Um juiz convocado da 6ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT1-RJ), Maurício Madeu, publicou em 27 de fevereiro um acórdão com um prompt de inteligência artificial visível no corpo do texto. A frase "segue minuta de fundamentação elaborada no padrão solicitado, em estilo Maurício" ficou registrada no processo nº 0101045-58.2023.5.01.0561, que trata de indenização por doença ocupacional de um coletor de lixo.

O magistrado reconheceu o uso de IA como "instrumento auxiliar" para organização de ideias e redação de minutas, mas qualificou o ocorrido como "equívoco formal pontual" que não afeta a validade da decisão. O TRT1 se recusou a comentar por se tratar de atividade jurisdicional.

O episódio não é isolado: em fevereiro, um desembargador do TJMG também deixou um prompt em decisão de absolvição por estupro de vulnerável; um juiz federal de Lages citou precedentes inexistentes; e em 2024 a CGJ-MA abriu sindicância após a produtividade de um juiz saltar de 80 para 969 sentenças mensais.

O uso de IA generativa nos tribunais é regido pela Resolução CNJ 615/2025, que exige supervisão humana sobre toda solução proposta por IA. O CNJ, porém, não recomenda o uso das ferramentas para pesquisa de jurisprudência ou fundamentação de decisões — exatamente o que o texto do prompt sugere ter ocorrido.

O prompt esquecido no TRT1 expõe o que a Res. CNJ 615/2025 não resolve: falta protocolo claro sobre até onde magistrados podem usar IA na fundamentação.

Fonte: jota

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