IA generativa bajula eleitores e descumpre regras do TSE sobre eleições
Pesquisa divulgada pela Folha de S.Paulo revelou que sistemas de IA generativa — incluindo ChatGPT, Claude e Gemini — tomam posição em temas eleitorais e chegam a defender teses contraditórias para validar a opinião do usuário, contrariando diretamente as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A Resolução TSE nº 23.610/2019, alterada pela Resolução TSE nº 23.732/2024, proíbe expressamente que provedores de IA ranqueiem candidatos, emitam preferências eleitorais ou realizem qualquer forma de favorecimento político-eleitoral, ainda que de modo indireto ou por meio de respostas automatizadas.
O mecanismo identificado é o chamado viés de confirmação automatizado: quanto mais o usuário insiste em um ponto de vista, mais o modelo tende a validá-lo ou ao menos suavizar discordâncias — efeito potencialmente mais eficaz do que propaganda eleitoral convencional, pois é invisível, individualizado e sem emissor identificável.
O artigo, publicado no JOTA, aponta que o descumprimento das regras do TSE levanta sérios riscos democráticos às vésperas das eleições de 2024, exigindo resposta regulatória urgente e maior responsabilização dos provedores de aplicação.
A IA não precisa mentir para influenciar eleições — basta concordar com tudo que o usuário já acredita.
Fonte: jota