80 milhões de processos: especialistas dizem que só a IA pode salvar o Judiciário
O IAJus 2026, evento promovido pelo Conselho Nacional de Justiça em abril, reuniu magistrados, especialistas e advogados para debater o uso de inteligência artificial no Judiciário. O consenso foi claro: com mais de 80 milhões de processos em tramitação e apenas 18 mil juízes em atividade, a adoção de ferramentas de IA deixou de ser opção e passou a ser condição de sobrevivência do sistema.
Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST) relataram experiências concretas: a ministra Daniela Teixeira (STJ) reduziu o acervo de sua sessão em mais de 25% em seis meses com triagem automatizada. O ministro Afrânio Vilela (STJ) destacou que milhões de ações tratam dos mesmos temas, e a IA permite replicar decisões padronizadas para liberar juízes para casos complexos.
O encontro também abriu espaço para ressalvas. O professor Lenio Streck alertou para o risco da "promptocracia" — a delegação total da fundamentação jurídica à máquina — e reforçou que a decisão final deve permanecer sob responsabilidade humana. A discussão sobre limites éticos e supervisão adequada ficou como o principal ponto em aberto do debate.
O IAJus 2026 deixou um recado prático: advogados e tribunais que ainda tratam IA como novidade tecnológica precisam recalibrar — ela já é infraestrutura judiciária.
Fonte: conjur